Conflitos no campo avançam e envolvem mais de 53 mil pessoas em Mato Grosso

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Foto da manchete: CPT-MT

Por Jurandir Antonio – Voz: Enéas Jacobina

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Mato Grosso concentrou, em 2025, o maior número de conflitos por terra da região Centro-Oeste, com 53 ocorrências registradas ao longo do ano.

Ao considerar também disputas por água e questões trabalhistas, o total chega a 63 conflitos no campo, envolvendo quase 54 mil pessoas.

Os dados fazem parte do relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, divulgado no início da semana pela CPT, Comissão Pastoral da Terra, em evento realizado na sede da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Brasília.

Nas ocorrências relacionadas exclusivamente à terra, foram contabilizadas 11 mil 841 famílias envolvidas em disputas que somam quase nove milhões de hectares.

Do total, quatro mil 701 famílias sofreram ameaças de despejo e 44 enfrentaram tentativas ou ameaças de expulsão.

O relatório aponta também 200 registros de pistolagem, um caso de destruição de moradia e duas mil 257 ocorrências associadas a invasões de terras.

O documento detalha ainda que os conflitos atingem diferentes grupos sociais em diversas regiões do estado.

Entre os casos citados estão áreas indígenas, como o Parque Indígena do Xingu, que impactou mil 875 famílias em municípios como Nova Ubiratã, Canarana e Feliz Natal, além das terras Capoto/Jarinã e Portal do Encantado.

Comunidades quilombolas, como Carretão e Laranjal, em Poconé, e o Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, também aparecem entre as áreas afetadas.

Em relação ao trabalho escravo rural, Mato Grosso registrou duas ocorrências em 2025, com 606 trabalhadores envolvidos, todos resgatados.

Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina