Guerra no Oriente Médio eleva preço das matérias-primas e pressiona indústria brasileira

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A alta do petróleo e de outros insumos, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, provocou um aumento expressivo no preço médio das matérias-primas no Brasil. Segundo a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, o índice de evolução do preço das matérias-primas passou de 55,3 pontos no quarto trimestre de 2025 para 66,1 pontos no primeiro trimestre de 2026.

O alto custo ou a falta de matérias-primas também ganhou destaque no ranking dos principais problemas enfrentados pelo setor industrial. O desafio foi apontado por 30,8% dos industriais no primeiro trimestre de 2026, passando a ocupar agora a segunda colocação.

Em primeiro lugar permanece a elevada carga tributária, com 34,8% das assinalações. Na terceira posição aparecem as taxas de juros elevadas, com 27,2%.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que a maior preocupação dos empresários reflete os impactos do cenário internacional.

“Essa maior preocupação dos empresários com a falta ou o alto custo das matérias-primas reflete o que vem acontecendo no conflito no Oriente Médio, que vem trazendo dificuldades e elevação de custos com petróleo e outros insumos importantes.”

Segundo o levantamento, os industriais demonstraram insatisfação com as condições financeiras das empresas. O índice que mede essa percepção caiu para 47,2 pontos.

O índice de satisfação com o lucro operacional também recuou para 41,9 pontos — o menor valor desde o segundo trimestre de 2020, período de pandemia.

Já o índice de acesso ao crédito caiu para 39 pontos no primeiro trimestre de 2026, indicando grande dificuldade das empresas para obter crédito.

“Os juros ainda exercem uma pressão significativa sobre a situação financeira das empresas, especialmente aquelas que já vêm trazendo dívidas anteriores. Também há uma pressão maior de custos que já vinha acontecendo no final do ano passado com relação à mão de obra, mas nesse primeiro trimestre de 2026, há um custo maior com relação a insumos e matérias-primas, pressionando a situação financeira das empresas.”

Apesar do aumento no custo das matérias-primas, a produção industrial avançou em março. O índice que mede essa evolução subiu 8,3 pontos em relação a fevereiro, passando de 45,4 para 53,7 pontos.

Segundo a CNI, o resultado positivo era esperado, já que março costuma marcar a transição de queda para alta na produção industrial.

Reportagem, Paloma Custódio