| Justiça determina que Bom Futuro cumpra normas de segurança após morte de trabalhador.mp3 |
Foto da manchete: Radioagência TRT
Por Karine Arruda
A Bom Futuro Agrícola, maior empresa produtora de soja do mundo e maior na cultura de algodão no Brasil, foi condenada pela Justiça do Trabalho depois que um acidente tirou a vida de um empregado. Hélio Gomes Monteiro Neto trabalhava para a empresa em Sapezal, município que fica a 500 quilômetros de Cuiabá. Ele morreu enquanto operava uma empilhadeira.
Durante a movimentação de um transformador de 550 quilos, em terreno irregular, a máquina acabou tombando e o trabalhador ficou preso debaixo dela, com a carga suspensa no ar.
A vítima tinha vinte e um anos e havia sido contratada pela empresa como conferente, atividade que não inclui a de operação de máquinas. Além disso, a Bom Futuro exigiu do empregado atribuição para a qual ele não havia recebido qualquer treinamento.
Para evitar que novos acidentes ocorram, a Justiça do Trabalho determinou que a empresa cumpra, em um prazo de 90 dias, uma série de obrigações relacionadas à saúde e segurança do trabalho.
A decisão é do juiz Muller da Silva Pereira, em atuação pela Vara do Trabalho de Campo Novo do Parecis, e foi dada em caráter liminar. O magistrado atendeu a pedido feito pelo Ministério Público do Trabalho.
A Bom Futuro já havia sido autuada pela superintendência regional do trabalho em 2017 por manter trabalhador operando máquina sem a devida qualificação e por infringir outras normas de segurança que provocaram um outro acidente grave.
Em sua decisão, o juiz Muller determinou que a empresa cumpra uma série de obrigações. Entre elas, a de elaborar procedimentos de trabalho e segurança para máquinas, a partir da apreciação de riscos. Os equipamentos ainda não devem ser utilizados em pisos inadequados e os empregados devem passar por capacitação específica para operar empilhadeiras.
Caso a Bom Futuro desrespeite as determinações, poderá pagar multa que varia de 10 mil a 30 mil reais por irregularidade constatada.