CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

*Juacy da Silva

A cada dia presenciamos o aumento de “desastres naturais”, como mais furacões, tornados, chuvas torrenciais, maremotos, secas prolongadas, ondas de calor extremo e também de frio extremo, impactando milhões e bilhões de pessoas ao redor do mundo, com enormes prejuizos materiais, sofrimento e mortes que poderiam ser evitadas, se cuidassemos melhor do plante.

Instituições nacionais e internacionais tem produzido estudos e pesquisas com dados e informações científicas sobre o aquecimento global, sobre as mudanças climáticas  que dentro de poucos anos poderão superar a meta aprovada no Acordo de Paris, de 1,5º Graus acima da média histórica, quando do início do período da industrialização e até mesmo os temíveis 2,0o acima daquele limite, considerado o chamado “ponto do não retorno”, que poderá inviabilizar todas as formas de vida no planeta, principalmente a vida humana, afetando vários bilhões de pessoas.

O despertar da conscientização mundial sobre as mudanças climáticas é o único caminho a seguir, é uma urgência crítica, focada não apenas em mitigar os impactos de gases de efeito estufa (GEE): petróleo, gás natural e carvão , componente principal da matriz energética e elétrica da maior parte dos países, gerados por atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento., o aumento da produção de lixo, a elevação da temperatura média das águas dos oceanos e, finalmente, a tão temível crise climática que já está entre nós.

Por isso foi criado o DIA NACIONAL DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, a ser celebrado no dia 16 de Março no Brasil, inspirado no Acordo de Parias e nos ODS, aprovados em 2015 pela ONU.

O Dia Nacional de Conscientização sobre as mudanças climáticas foi instituido , instituído pela Lei Federal 12.533/2011, durante o Governo da Ex Presidente Dilma Roussef, em uma referência direta ao Protocolo de Kyoto, aprovado durante a COP 3, em 1997, no Japão, ou seja, há quase 30 anos e um dos primeiros tratados internacionais que demonstrou a urgente necessidade da redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis diretos pelo aumento do aquecimento global e pela crise climática e seus impactos.

A ONU também “celebra” o Dia Mundial da conscientização sobre as mudanças climáticas por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente em 05 de Junho e também em 23 de Março, Dia Mundial da Meteorologia e através do estímulo `a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustenável, principalmente o ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima, aprovados também em 2015 e que fazem parte da Agenda 2030, tendo como objetivo combater as alterações climáticas e seus impactos e como foco a resiliência, a adaptação e a redução das emissões desses gases de efeito estufa e, também, uma mudança radical, uma transformação profunda em nossos hábitos e estílos de vida, enfim, mudanças essas que contribuem para o surgimento de um novo modelo de economia, como a Economia de Francisco e Clara.

Diante disso, a os Cristãos em geral e a Igreja Católica em particular, dando seguimento `as exortações apostólicas e `a Encíclica Laudato Si, publicada também em 2015, pelo Papa Francisco que oferecem subsídios e novas bases de conhecimento e inspiração, através da Espiritualidade Ecológica, e, assim, contribuirmos para este despertar da consciência ecológica, individual e, também ou principalmente coletiva, comunitária.

Por isso, cuidar da Casa Comum, do Planeta e lutar pela Ecologia Integral não é algo opcional aos cristãos, principalmente aos Católicos, para tanto, precisamos mudar radicalmente nossos hábitos que impactam negativamente o meio ambiente e substituirmos a Omissão (que é um pecado pela doutrina católica) pela conscientização e por ações sociotransformadoras

Como bem disse e escreveu o Papa Francisco “O meio ambiente é um bem coletivo, pratimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos (Governantes, empresários, consumidores, trabalhadores, enfim, a população em geral).

Além disso, Ele (Papa Francisco, que também tem sido seguido pelo Papa Leão XIV),  insistia que “A igreja, com sua ação, como por exemplo através da Pastoral da Ecologia Integral, procura não só lembrar  o dever de cuidar da natureza, mas também proteger o ser humano de sua própria destruição, pois, afinal, “o clamor/grito da terra é também o clamor, gemido e grito dos pobres, excluidos e injustiçados”, pois são esses as maiores vítimas das mudanças climáticas e das tragédias ambientais.

A partir do Magistério do Papa Francisco, a Ecologia Integral passou a fazer parte da Doutrina Social da Igreja e, neste contexto, estão umbilicalmente ligadas `a opção preferencial pelos pobres que a Igreja tem feito ao longo de milênios, mas de uma forma mais enfática e clara nas conclusões do Concílio Vaticano II, que precisa ser resgatado por fiéis e também pela hierarquia eclasiástica.

Diante disso, podemos afirmar com certeza que você, como Cristão, Católico, cidadão, contribuinte e também pertencente a outras religiões, pode fazer a diferença, mudando seus hábitos de consumismo, de desperdício e de destruição da natureza, que conntribuem para a degradação do meio ambiente e  fazem parte da CRISE CLIMÁTICA, que a cada ano está se tornando mais grave e mais recorrente, com impactos cada vez mais terríveis.

Este despertar da consciência ecológica também abrange o que denominamos de mobilização  profética e a luta por políticas públicas que cuidem melhor do meio ambiente e de nosso sofrido planeta.

Por isso, DIA NÃO ao consumismo, ao desperdício, `a geração de mais lixo, aos agrotóxicos, ao desmatamento, `as queimadas, `as invasões dos territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos, `a destruição da biodiversidade, `a poluição das águas, do ar, a degradação promovida pela mineração  e garimpos ilegais,  e, a maior causa do aquecimento global, que são os combustíveis fósseis (petróleo, gás natarual e carvão vegetal). Isto tem um nome: A LUTA PELA SUSTENTABILIDADE.

Tudo isso está ao seu alcance, basta despertar a sua consciência ambiental, ecológica e juntar-se a outras pessoas de sua comunidade, sua cidade, sua paróquia, sua Igreja e ai, juntos, podemos fazer uma grande difeença.

Além disso, precisamos nos  unir para uma grande MOBILIZAÇÃO PROFÉTICA PLANETÁRIA e lutar contra os modelos econômicos que não  respeitam a natureza, nem os trabalhadores e muito menos os  consumidores e as futuras gerações.

Esses modelos foram condenados pelo Papa Francisco, que os denominava de Economia da Morte, que precisam serem substituidos pela ECONOMIA DA VIDA,  fundada na Ecnomia Solidária, na agroeculogia e na produção orgânica, garantido uma qualidade de vida digna para as atuais gerações e também para as gerações futuras.

A conscientização sobre os riscos e impactos das mudanças climáticas é o primeiro passo para as ações sociotranformadoras e, neste contexto, cabe um destaque ao papel da Educação Ambiental, Educação Ecológica Libertadora, tanto na escola, em todos os níveis, da edudação/ensino infantil até a Universidade, bem como componente dos movimentos sociais, populares, ONGs e, também, nas Igrejas.

Vale a pena destacar qual deveria ou deve ser o papel da educação ambiental libertadora para o Papa Francisco na Encíclica Laudato Si “ A educação ambiental (libertadora)  deveria predispor-nos a darmos um salto para o mistério, do qual uma ética ecológica recebe o seu sentido mais profundo”.

Assim, uma educação ambiental libertadora, juntamente com ações sociotransformadoras abrem caminho para a plenitude da sustentabilidade e novas formas de organização da sociedade e dos sistemas econômicos.

Isto é o que podemos denominar de uma verdadiera cidadania ecológica, onde existe um profundo respeito pelo meio ambiente, pelas obras da criação e também o respeito `a dignidade dos trabalhadores, dos empresários e consumidores, com os olhos postos nas futuras gerações, ao respondermos a indagação “que planeta queremos ou vamos deixar para as próximas e futuras gerações?”

Pense nisso. Esta deve ser a essência da mensagem neste Dia Nacional e Mundial de Conscientização sobre as Mudanças climáticas, neste 16 de Março de 2026.

Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. Email profjuacy@yahoo.com.br Instagram @profjuacy Whats app 65 9 9172 0052