| 04 CENÁRIO DESAFIADOR. Estudo do Imea aponta avanço do endividamento rural em Mato Grosso.mp3 |
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Por Jurandir Antonio – Voz: Enéas Jacobina
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Um novo estudo sobre endividamento rural elaborado pelo Imea, Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, aponta aumento do crédito problemático, da inadimplência e das renegociações no estado.
Esse crescimento, considerado expressivo pelo Imea, aconteceu diante do reflexo da queda nos preços das commodities, de juros mais altos, conflitos internacionais e de custos de produção elevados.
O levantamento compara os períodos de 2017 a 2021, marcado por um ciclo favorável ao setor, e com os anos de 2022 a 2026, quando o cenário econômico passou a pressionar a rentabilidade do produtor rural em todo o Brasil.
De acordo com o Imea, os novos dados mostram que Mato Grosso teve uma alta na expansão do crédito rural.
O volume de recursos utilizados pelos produtores saltou de aproximadamente 15 bilhões e meio de reais na safra 2016/2017 para mais de 47 bilhões de reais em 2023/2024.
Somente o custeio das lavouras de soja e milho, por exemplo, avançou de cinco bilhões e meio de reais para 15 bilhões no mesmo período.
Paralelamente, o custo desse financiamento aumentou de forma gradativa, e programas de crédito tiveram elevação nas taxas de juros.
Enquanto isso, a taxa Selic atingiu 14,25% ao ano, o que elevou o custo financeiro das operações e reduziu a capacidade de investimento dos produtores.
Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o estudo mostra que a produção não é o maior desafio para as propriedades.
Ele destacou que o produtor continua produzindo bem, mas esse esforço já não tem se traduzido em resultado financeiro.
Além da produtividade, ele precisa administrar custos de produção elevados, preços menores do que os registrados no pós-pandemia e, agora, um volume maior de dívidas acumuladas.
O superintendente do Imea reforçou que tornar a operação cada vez mais eficiente passou a ser fundamental para atravessar esse momento.
O levantamento do instituto mostra que, até abril deste ano, o chamado crédito problemático, que reúne operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas, chegou a quase 22 bilhões de reais em Mato Grosso.
O montante representa 18,22% de toda a carteira de crédito rural do estado, ou seja, o maior percentual da série histórica.
Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina