PRESSÃO GEOPOLÍTICA. Crise dos fertilizantes cria “tempestade” entre comercialização e entrega, avalia AgriConnection

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Por Jurandir Antonio – Voz: Enéas Jacobina

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As restrições no abastecimento internacional de fertilizantes estão levando compradores brasileiros a antecipar negociações e priorizar produtos já nacionalizados.

A menor disponibilidade de alguns insumos, especialmente fosfatados, somada às dificuldades de crédito e aos riscos logísticos, também ampliou a busca por fornecedores e fontes alternativas, avalia o diretor da AgriConnection Fertilizers, Rafael Almeida.

Para o executivo, o setor enfrenta uma combinação incomum de fatores.

A crise dos fertilizantes reúne pressão geopolítica, dificuldade de acesso ao crédito e desafios de logística e comercialização no mercado brasileiro.

As entregas do insumo ao mercado brasileiro recuaram 5,4% no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos.

Entre janeiro e junho, foram entregues cerca de 19 milhões de toneladas, em comparação a pouco mais de 20 milhões no mesmo período de 2025.

Nas lavouras de Mato Grosso, a alta dos fertilizantes já aumentou o custo de produção, principalmente pela pressão sobre os fosfatados, avalia o diretor.

Diferentemente dos nitrogenados, que contam com maior possibilidade de substituição entre fontes, o fósforo oferece menos alternativas ao produtor.

O cenário internacional ajuda a explicar essa pressão.

Segundo Almeida, cerca de 60% do enxofre mundial passa pelo Estreito de Ormuz.

A matéria-prima é essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados, como MAP, superfosfato simples e superfosfato triplo.

Ao mesmo tempo, a China suspendeu neste ano a exportação de alguns fertilizantes fosfatados binários que abasteciam o mercado brasileiro, reduzindo ainda mais as alternativas disponíveis.

Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina