Mato Grosso lidera resgates por trabalho escravo em 2025, aponta relatório da CPT

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Foto da manchete: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Por Jurandir Antonio – Voz: Enéas Jacobina

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Mato Grosso registrou, em 2025, o maior número de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no país e liderou os casos de conflitos por terra na região Centro-Oeste, segundo o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, lançado nesta terça-feira pela CPT, Comissão Pastoral da Terra, no auditório da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá.

Ao todo, 606 pessoas foram libertadas de situações de trabalho escravo no estado ao longo do ano.

O número coloca Mato Grosso no topo do ranking nacional.

Em um único caso, no município de Porto Alegre do Norte, 586 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes durante a construção de uma usina de etanol.

Outro resgate ocorreu em Nova Maringá, onde 20 pessoas atuavam no corte e empilhamento de madeira.

Além dos dados sobre trabalho escravo, o relatório aponta que o estado contabilizou 63 conflitos no campo em 2025, envolvendo quase 54 mil pessoas.

A maior parte das ocorrências está relacionada a disputas por terra, que somaram 53 casos e atingiram 11 mil 841 famílias.

Entre os principais impactados estão assentados, posseiros e comunidades quilombolas.

A região Norte de Mato Grosso concentra o maior número de conflitos, com registros em 26 municípios.

No total, 48 cidades do estado tiveram algum tipo de ocorrência, alta de 14,3% em relação a 2024.

O levantamento também destaca o crescimento de situações de violência associadas aos conflitos. Foram contabilizados 200 registros de pistolagem, incluindo ameaças, intimidações e atuação de grupos armados.

Outro indicador que chamou atenção foi o aumento expressivo das ameaças de despejo judicial, que chegaram a quatro mil 701 casos, mais de três vezes o registrado no ano anterior.

Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina