| 05 Pesquisadores alertam que construção da Usina de Castanheira pode provocar um desastre ambiental.mp3 |
Foto da manchete: Gilberto Leite
Por: Jurandir Antônio – Voz: Elaine Coimbra
Texto do áudio:
A Usina Hidrelétrica de Castanheira está prevista para ser construída a aproximadamente 120 quilômetros da foz do rio Arinos, no município de Juara, região noroeste de Mato Grosso.
O empreendimento é uma das prioridades do Programa de Parcerias e Incentivos, do Governo Federal, e está na fase de licenciamento ambiental, porém um estudo inédito revela inconsistências conceituais e metodológicas durante o processo de planejamento e licenciamento da usina.
Intitulado “Análise da avaliação de impactos cumulativos no processo de planejamento e licenciamento da Usina de Castanheira”, o laudo técnico foi apresentado à Sema, Secretaria de Estado de Meio Ambiente.
A reunião contou com a participação das pesquisadoras responsáveis pela elaboração do estudo e de representantes de comunidades que podem ser afetadas pelo empreendimento.
De autoria de Simone Athayde, Renata Utsunomiya e pesquisadores associados, o documento constata a inviabilidade do projeto a partir de uma série de impactos socioecológicos que seriam provocados durante e após a construção da usina.
Segundo o laudo, dentre todos os empreendimentos hidrelétricos planejados ou em operação na bacia, a Usina de Castanheira é a que mais afeta a conectividade fluvial.
O estudo afirma ainda que “o barramento causará uma perda significativa da conectividade hidrológica na bacia, colocando em ameaça a existência de pelo menos 97 espécies de peixes migratórios”.
Além da redução de peixes, a obra colocaria em risco a soberania alimentar de vários povos indígenas que habitam a região, como Apiaká, Kayabi, Munduruku, Rikbaktsa e outros.
As pesquisadoras alertam ainda que o projeto pode causar impactos culturais igualmente irreversíveis ou impossíveis de serem quantificados ou mitigados.
O estudo completo sobre os impactos da obra da Usina de Castanheira está disponível no site OPAN, a Operação Amazônia Nativa.