ONU mulheres pede mais participação feminina na política brasileira

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Sarah Quines - Repórter da Rádio Nacional

Edição: Roberta Lopes / Eliane Gonçalves

Foto Paulo Pinto/Agencia Brasil

A ONU Mulheres, organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero, lançou uma carta aberta com propostas que buscam indicar caminhos para diminuir a violência e as desigualdades de gênero no Brasil.

O documento, divulgado a poucas semanas das eleições, chama a atenção para temas como participação política feminina, renda e mudanças climáticas.

A carta busca estimular o debate público no ciclo eleitoral deste ano sem apoiar candidaturas ou partidos.

O primeiro ponto que o documento ressalta é que não existe democracia sem mulheres no poder. Mais da metade do eleitorado brasileiro é feminino, mas as mulheres ocupam menos de 20% das cadeiras da Câmara dos Deputados e do Senado.

Os dados também apontam falta de representatividade racial somada à de gênero: no país onde as mulheres negras são cerca de 30% da população, elas representam apenas 6% das deputadas eleitas.

Entre as propostas está o combate às violências sofridas pelas mulheres: com a garantia de que a lei de combate à violência política contra a mulher (Lei 14.192/2021) funcione na prática. Na luta contra o feminicídio, a ONU Mulheres propõe definição de orçamento para evitar feminicídios, com educação para a igualdade e medidas protetivas eficazes.

A instituição também cobra a garantia de salário digno e proteção social às trabalhadoras do cuidado, no país onde as mulheres dedicam dez horas semanais a mais do que os homens para afazeres domésticos e cuidado de pessoas.

O direito à renda e à segurança econômica também é citado no documento, que aponta que as mulheres ainda recebem cerca de 20% menos que os homens e que quase metade das mulheres negras (45,6%) ocupadas trabalham na informalidade.

O documento dedica três propostas às questões climáticas: o financiamento climático voltado às iniciativas de mulheres que atuam na proteção de territórios e na segurança alimentar; a garantia da participação feminina em cargos de decisão sobre mudanças climáticas e a inclusão de critérios de gênero e raça nas políticas climáticas.