Avanço de hidrelétricas na bacia do Juruena é acelerado por nova Lei do Licenciamento

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Foto da manchete: Adriano Gambarini

Por Jurandir Antonio – Voz: Enéas Jacobina

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O equilíbrio ecológico e sociocultural da bacia do rio Juruena, no noroeste de Mato Grosso, voltou a ser empurrado para o limite.

Dados do Boletim de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Bacia do Juruena, elaborado pela OPAN, Operação Amazônia Nativa, apontam um cenário alarmante: apesar da ausência de novos projetos cadastrados entre agosto de 2025 e julho de 2026, o setor hidrelétrico na região conseguiu o cenário ideal para viabilizar os projetos que estavam parados no planejamento.

Ao todo, o monitoramento mapeou 185 empreendimentos hidrelétricos em diferentes fases de planejamento e execução na bacia.

O avanço dessas obras tornou-se ainda mais grave diante das diretrizes da recém-sancionada Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que reduz a proteção aos territórios tradicionais e diminui os instrumentos de consulta aos povos originários.

Até julho de 2026, a distribuição dos projetos na bacia do Juruena apresentou uma predominância de empreendimentos de pequeno e médio porte: 88 Centrais Geradoras Hidrelétricas, representando 48% do total; 72 PCHs, Pequenas Centrais Hidrelétricas, correspondendo a 39%; e 25 Usinas Hidrelétricas de grande porte, que equivalem aos 13% restantes.

Embora 65% dos empreendimentos, 121 usinas, ainda figurem na fase teórica de planejamento administrativo, 24 projetos já estão em construção e 40 usinas encontram-se em plena operação comercial.

O avanço das usinas no complexo hidrográfico do Juruena impõe um cerco direto a povos como os Enawene Nawe, Nambikwara, Manoki, Irantxe, Rikbaktsa e Pareci.

Os projetos afetam rios importantes para a reprodução física e cultural dessas comunidades, como o rio do Sangue, Papagaio e a própria calha do Juruena.

Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina