Inca lista agentes cancerígenos relacionados ao trabalho

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Por Lígia Souto - Repórter da Rádio Nacional - Rio de Janeiro

Os principais tipos de câncer relacionados ao trabalho são os de pulmão, pele, bexiga e os linfomas. A lista faz parte de uma publicação do Instituto Nacional de Câncer (Inca), elaborada para ajudar os profissionais de saúde a identificar os agentes químicos, físicos e biológicos presentes no ambiente ocupacional, que contribuem para o desenvolvimento da doença.

O documento identifica 38 partes do corpo que podem desenvolver câncer. O número é o dobro do catalogado em um livro que trata desse assunto, organizado também pelo Inca, em 2012.

As áreas mapeadas, incluem, entre outros, o câncer de pulmão relacionado à exposição ao amianto; cânceres de ovário, laringe, faringe, de glândulas salivares e de fígado.

Segundo a epidemiologista do Inca, Ubirani Otero, a prevenção aos tumores relacionados ao ambiente de trabalho começa pela divulgação máxima de informações sobre o assunto. Entre as dificuldades de associar a causa à doença, Ubirani destaca o fato de que, em muito casos, os sintomas só se manifestam anos após a exposição prolongada aos agentes que oferecem risco à saúde.

De uma forma geral, os cânceres atribuídos a fatores ocupacionais variam de 5 a 8% do total de casos. Mas, existem determinados tipos, como o de pulmão, em que essa taxa é bem maior, girando em torno dos 20%. Outro dado importante é que quase um quarto desses casos poderiam ser evitados se não houvesse a exposição a determinados agentes presentes nos ambientes de trabalho.

Entre essas substâncias, está o benzeno, solvente utilizado na gasolina e que afeta, em especial, os trabalhadores de postos de combustíveis. No ano passado, o Inca alertou para os perigos relacionados ao composto orgânico e a necessidade da adoção de medidas para reduzir a exposição, e os consequentes efeitos no organismo.

Além dos agentes químicos, os hábitos de consumo e comportamento, assim como o ambiente social, também estão listados na publicação como fatores de risco, o que inclui a alimentação, o uso de medicamentos, tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e obesidade.

Dados da Organização Internacional do Trabalho apontam que a cada ano, no mundo, são contabilizadas mais de 600 mil mortes decorrentes de câncer associados ao trabalho. O número representa o dobro dos óbitos relacionados aos acidentes laborais. 

Com informações da Agência Brasil. 

Edição: Vitória Elizabeth/Adrielen Alves

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