FEMINICÍDIOS. Maioria das mulheres foi morta dentro de casa em 2025, aponta Anuário

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Foto da manchete: Reprodução/Ministério da Justiça

Por Jurandir Antonio – Voz: Enéas Jacobina

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Em 2025, quase dois terços das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil foram mortas dentro da casa da vítima ou do autor.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado na última semana, o ambiente doméstico concentrou 62,5% dos casos, mais que o dobro do registrado nas demais mortes violentas intencionais de mulheres, em que a residência foi o local de 29,4% das ocorrências.

O levantamento mostra que o cenário é inverso quando os crimes ocorrem em vias públicas.

Enquanto 42,6% das demais mortes violentas intencionais de mulheres aconteceram em ruas, avenidas e outros espaços públicos, apenas 19,7% dos feminicídios foram registrados nesses locais.

Na maioria dos casos, o crime ocorre em espaços destinados à proteção, à intimidade e à convivência familiar, justamente onde a atuação do Estado costuma ser mais difícil e onde a violência frequentemente permanece invisível até atingir seu desfecho mais extremo.

Em Mato Grosso, o número de feminicídios aumentou de 47 para 53 casos, representando alta de 11% de 2024 para 2025.

O Brasil registrou mil 571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2016.

Enquanto os homicídios de mulheres diminuíram 5,5%, as mortes motivadas pela condição de gênero cresceram 4% e chegaram ao equivalente a mais de quatro vítimas por dia.

O levantamento mostra que a violência contra a mulher avança mesmo diante da redução geral das mortes violentas no país.

Além dos feminicídios consumados, quatro mil 189 mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio em 2025, alta de 5,9%.

Isso significa que, para cada mulher morta, quase outras três foram vítimas de uma tentativa de assassinato por razões de gênero.

Outros crimes que frequentemente antecedem a morte também aumentaram.

O país registrou mais de 123 mil casos de perseguição, conhecida como stalking; quase 61 mil ocorrências de violência psicológica; pouco mais 286 mil agressões no ambiente doméstico; 788 mil 531 ameaças e 132 mil descumprimentos de medidas protetivas.

Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina