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Maíra Heinen
O que se sabe até agora sobre a Covid-19? Entre as principais descobertas, sabemos que a transmissão do novo coronavírus se dá pelo contato com gotículas de pessoas contaminadas. Por isso, a orientação é para lavar as mãos, usar máscaras de proteção e manter distanciamento.
Mas um estudo recente, publicado na Revista Nature por pesquisadores chineses da Universidade de Wuhan e também da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, aponta que partículas do vírus foram detectadas no ar, em locais abertos próximos a hospitais.
A médica infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, Eliana Bicudo, ressalta que ainda é necessário mais estudos para dizer com precisão se essas partículas são ou não infectantes.
"A publicação foi super importante porque mostrou que, quanto maior o inóculo concentrado - como num hospital cheio de pacientes com coronavírus - , maior a chance da gente encontrar material genético nas proximidades. Mas daí a afirmar que aquilo que encontrado infecta mais pessoas, a gente ainda precisa de mais testes".
Para a infectologista, a pesquisa realizada na China é muito importante para reforçar a política de isolamento e aumentar os cuidados com a higiene. A pesquisa também aponta que locais com boa ventilação, desinfectados e limpos podem efetivamente limitar a concentração do vírus.
Aqui no Brasil, uma pesquisa realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz mostrou que partes do vírus também já foram encontradas no esgoto. Mas Eliana Bicudo explica que até o momento não há potencial de contágio por fezes e urina, por exemplo.
"O que se encontra nas fezes e na urina é o material genético do novo coronavírus, e não o vírus inteiro, capaz de causar doença".
A médica reforçou que para quem está sempre próximo de pessoas doentes, como profissionais de saúde e cuidadores, a principal medida é o uso de EPIs, os equipamentos de proteção individual, além da lavagem correta das mãos.