| Aumento e banalização das mortes no Brasil mostram um país profundamente violento.mp3 |
Por Jurandir Antonio – Voz: Vinícius Antônio
Texto do áudio:
No primeiro semestre deste ano, as mortes violentas intencionais aumentaram 7,1% no país, seguindo a tendência de elevação iniciada no último trimestre de 2019.
De acordo com o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta segunda-feira pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registradas 25 mil 712 ocorrências, contra 24 mil e 12 da primeira metade de 2019.
Ou seja, a cada dez minutos, uma pessoa perdeu a vida, vítima de assassinato.
São consideradas mortes violentas intencionais o homicídio doloso, a lesão corporal seguida de morte, o latrocínio e as mortes decorrentes de intervenção policial.
Os homicídios dolosos, com 8,3%, e as mortes decorrentes de intervenção policial, com 6%, foram os que mais tiveram aumento.
Segundo a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, o estancamento generalizado da criminalidade, imaginado para o período da crise sanitária, não se confirmou.
"Tivemos um incremento nos casos de violência doméstica, de violência interpessoal, que refletem nos casos de feminicídio. Os casos de feminicídio vêm crescendo ao longo de vários anos, e isso não é exclusivo desse momento em que estamos vivendo. Mas, ao que tudo indica, a pandemia acentuou a violência, na medida em que são mais mulheres que já viviam situações de vulnerabilidade, na violência, e passam mais tempo com seus agressores."
Para o diretor-presidente do fórum, Renato Sérgio de Lima, o que se vê no Brasil é a naturalização de agressões.
"A gente continua sendo um país profundamente violento, onde não conseguimos resolver, enfrentar o problema de forma satisfatória. Continuamos a banalizar a vida", ressaltou Lima.