Unesco alerta para riscos que IA traz à indústria criativa; ouça

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Tatiana Alves - repórter da Rádio Nacional

Edição: Fábio Cardoso / Fran de Paula

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A indústria criativa pode perder até 24% das receitas globais por causa da Inteligência Artificial até 2028. A estimativa é da Unesco, Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, que divulgou nesta sexta-feira (20) um levantamento sobre o futuro das políticas de criatividade com base em dados coletados em mais de 120 países.

O estudo analisa como o crescimento da Inteligência Artificial, mudanças no comércio global e riscos à liberdade artística estão transformando as indústrias culturais e criativas, e defende o reforço de políticas públicas para proteger artistas e profissionais do setor.

De acordo com o levantamento, apesar de as indústrias culturais e criativas serem cada vez mais reconhecidas como motores de crescimento econômico e desenvolvimento sustentável, os sistemas que as apoiam permanecem frágeis e desiguais.

A pesquisa mostra, ainda, que 85% dos países consultados incluem as indústrias culturais e criativas nos seus planos nacionais de desenvolvimento, mas apenas 56% definem objetivos culturais específicos, o que dificulta medidas concretas.

A Unesco aponta também que o comércio global de bens culturais duplicou e atingiu US$ 254 bilhões em 2023, mas os países em desenvolvimento representam pouco mais de 20% do total, indicando um desequilíbrio crescente à medida que o mercado se desloca para formatos digitais.

Outro dado em destaque no relatório é que apenas 61% dos países possuem organismos independentes para supervisionar a liberdade artística e a segurança de criadores.

A Unesco identifica avanços, mas também disparidades significativas na igualdade de gênero nas indústrias culturais e criativas.

O estudo indica que a liderança feminina em instituições culturais nacionais aumentou globalmente, passando de 31% em 2017 para 46% em 2024.

No entanto, a distribuição é desigual, com mulheres representando 64% das líderes em países desenvolvidos, mas apenas 30% em países em desenvolvimento.