| 02 Presidente do TCE critica atraso nas obras do BRT e alerta “vai ter punição”.mp3 |
Foto da manchete: Thiago Bergamasco/TCE MT
Por Jurandir Antonio – Voz: Eneas Jacobina
Texto do áudio:
As obras do BRT que cortam Cuiabá e Várzea Grande atravessam mais um capítulo de incertezas, críticas e impasses institucionais.
Iniciadas para a Copa do Mundo de 2014, quando o modal escolhido era o VLT, as intervenções urbanas se arrastam há mais de uma década, impactando diretamente a mobilidade, o comércio e a rotina da população das duas cidades.
O projeto original previa a implantação do VLT, Veículo Leve sobre Trilhos, durante a gestão do então governador Silval Barbosa.
Anos depois, já sob o comando do governador Mauro Mendes, o contrato foi rescindido e o modal substituído pelo BRT.
A mudança, no entanto, não mudou o cenário caótico.
Nesta semana, o governador Mauro Mendes voltou a comentar os atrasos, atribuindo parte das dificuldades à falta de mão de obra e a intervenções que, segundo ele, não estavam previstas inicialmente, como demolições e adequações estruturais.
Ele destacou ainda as dificuldades enfrentadas no período chuvoso, que impactam diretamente o ritmo das obras em uma capital marcada por alagamentos recorrentes.
Por outro lado, o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, não poupou críticas ao andamento da obra.
Para o presidente do TCE, não dá para justificar simplesmente dizendo que não tem mão de obra. Segundo ele, tem que tomar providência, buscar onde ela existe”, citando exemplos de empresas que importam trabalhadores de outros estados para manter o ritmo das construções.
Sergio Ricardo ressaltou que o TCE acompanha o processo “desde o primeiro ato de dificuldade e atraso” e criticou duramente a condução inicial do projeto.
Segundo Sérgio Ricardo, no dia em que a obra deveria ter sido entregue integralmente, apenas 18% estavam concluídos.
Foi nesse momento que o TCE entrou em campo e recomendou a rescisão do contrato com o consórcio responsável à época, o que acabou sendo acatado pelo governo estadual, com a contratação de um novo grupo para dar continuidade aos trabalhos.
O presidente do Tribunal foi enfático ao afirmar que, desde o início, não havia projeto estruturado da obra.
Ele lembrou que não dá para fazer nenhuma obra pequena, nenhuma obra grande, sem um projeto. “E o BRT não tem projeto”.
Para ele, a ausência de planejamento comprometeu o cronograma e inviabilizou qualquer previsão concreta de término.
“Perdeu-se qualquer possibilidade de prever quando isso vai terminar”, lamentou Sérgio Ricardo.
Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina