| 01 O programa Desenrola 2.0 está terminando. Como evitar voltar ao ciclo das dívidas.mp3 |
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Por Jurandir Antonio – Voz: Enéas Jacobina
Texto do áudio
O programa Desenrola 2.0 ajudou milhões de brasileiros a renegociar débitos em condições mais favoráveis.
Mas o desafio mais importante começa depois da assinatura do acordo.
A experiência da primeira fase do Desenrola ajuda a dimensionar o tamanho do desafio.
Encerrado em maio de 2024, o programa renegociou mais de 53 bilhões de reais em dívidas para cerca de 15 milhões de pessoas.
Ainda assim, os indicadores de inadimplência voltaram a subir nos anos seguintes, mostrando que a renegociação, sozinha, não resolve problemas estruturais de orçamento e endividamento.
É esse pano de fundo que dá o tom da pergunta que passa a valer agora, com a adesão ao Desenrola 2.0 prorrogada até 31 de agosto: o que fazer depois de renegociar?
Com o programa, muitos brasileiros ganharam a chance de trocar dívidas caras, como as do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial, por condições com descontos relevantes e juros menores.
Boa parte da recaída está ligada a fatores que a renegociação não resolve sozinha, juros ainda elevados que mantém o crédito caro e orçamentos sem margem para imprevistos.
Ou seja, sem mudanças no planejamento financeiro das famílias, o fôlego inicial tende a se esgotar.
Os números explicam por que o cenário segue pressionado: 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho deste ano, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, e 29,5% da renda mensal estava comprometida com dívidas no mesmo período, de acordo com o Banco Central.
Nesse sentido, a renegociação deve ser vista como o começo do processo, e não como o ponto final.
Os primeiros meses após o acordo são a janela mais valiosa para reorganizar gastos, montar uma reserva de emergência e reduzir a dependência de crédito caro.
Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina