| 09 Mercado de energia limpa avança no campo e ajuda produtores a economizar.mp3 |
Foto: Agropower Energia Solar/Reprodução
LOC.: O Brasil possui mais de 80 milhões de hectares destinados à agricultura e mais de 3 mil horas de sol pleno por ano. A soma desses fatores faz das propriedades rurais locais ideais para a geração de energia a partir de fontes renováveis, principalmente a fotovoltaica.
Os proprietários já perceberam essa oportunidade e estão investindo. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que o consumo no campo de energia própria (geração distribuída) cresceu cerca de 60% entre junho de 2023 e junho de 2025, passando de 3,5 GW para 5,6 GW de potência instalada.
Fábio Lima, diretor executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), conta que os investimentos ocorrem por todo o país, mas é no Matopiba – nova fronteira agrícola que contempla os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia –, onde a modernização do sistema elétrico mais avança.
TEC./SONORA: Fábio Lima, diretor executivo da Absae
“Com isso, você tem uma rede estável, de baixo custo e renovável – baseada em energia limpa, sem emissão de poluentes –, em que você consegue ampliar o seu investimento em irrigação, em refrigeração, em diversas formas de uso de eletrificação rural para aumento da sua produtividade”.
Áudio (20s)
LOC.: Mais do que a geração de energia renovável, a principal vantagem da geração de energia própria é a economia que o sistema gera. O produtor ganha com previsibilidade, por depender menos da energia enviada pela concessionária, utiliza menos geradores movidos a diesel e ainda pode utilizar essa energia mesmo em horários de baixa produção, como à noite ou dias nublados, se possuir uma bateria de armazenamento.
investimento varia para cada projeto. A localização da propriedade, a área e a necessidade de uso influenciam no valor mas, segundo Lima, o sistema se paga entre 3 e 5 anos.
TEC./SONORA: Fábio Lima, diretor executivo da Absae
“É onde você tem ali o auge da viabilidade econômica desses projetos. E você tem comparado a isso o ciclo de vida, uma duração desse sistema da ordem de 15 a 20 anos. Então você tem 10 a 15 anos de lucratividade com o uso desses sistemas”.
Áudio (17s)
LOC.: Apesar da modernização da atividade no campo, com o emprego de maquinários automatizados, drones e irrigação elétrica, o consumo de energia elétrica em áreas agropecuárias do país ainda é baixo. Em novembro, dos mais de 47 mil gigawatts utilizados, 2 mil e 700 foram em zonas rurais, o equivalente a 5,7%, segundo levantamento da Empresa Pública de Energia.
Reportagem, Álvaro Couto.