Frigoríficos planejam diminuir abates diante da menor demanda chinesa por carne bovina brasileira

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Foto da manchete: Portal AgroNews

Por Jurandir Antonio – Voz: Eneas Jacobina

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O mercado do boi gordo iniciou 2026 sob pressão, com cotações estáveis ou em queda nas principais praças pecuárias do país.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o setor já se prepara para um cenário de menor demanda externa, especialmente por parte da China, principal compradora da carne bovina brasileira.

Segundo Iglesias, a projeção é de que a China reduza suas importações em cerca de 500 mil toneladas neste ano, o que exigirá um ajuste estratégico da indústria.

Na opinião do analista, essa situação deve aumentar a capacidade ociosa dos frigoríficos, reduzindo o ritmo de abates no Brasil em 2026.

De acordo com ele, essa decisão se soma a um movimento natural de inversão do ciclo pecuário, que já indicava uma desaceleração.

Fernando Iglesias explicou que o mercado está mais contido, e os frigoríficos mantêm escalas curtas de abate de forma intencional, para controlar melhor o fluxo de compras.

Com a pressão sobre os preços, o produtor tenta se proteger utilizando o pasto em boas condições como ferramenta para reter os animais e postergar a venda.

Iglesias observa ainda uma mudança no comportamento das indústrias, que começam a reduzir o prêmio pago pelo boi destinado à China, anteriormente entre cinco e dez reais 10 por arroba.

Na opinião do analista, essa retirada da bonificação pode desestimular a entrega de animais mais jovens e precoces, redirecionando o foco para o mercado interno.

No atacado, os preços da carne bovina permanecem acomodados, mas a expectativa é de queda nas próximas semanas, acompanhando a retração observada nas proteínas concorrentes.

Iglesias lembrou que após o período das festas, as cotações tendem a se ajustar. Carne suína e de frango já estão em baixa, e a bovina deve seguir o mesmo caminho.

Porém, ele acha que o consumo doméstico também deve se manter contido, impactado pelo endividamento das famílias e pela preferência por proteínas mais acessíveis.

Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina