CNI, Amcham e Câmara de Comércio dos EUA propõem acordo para barrar novas tarifas ao Brasil

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Carta conjunta assinada pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil e pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos propõe uma agenda de negociação em duas etapas para evitar a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

A primeira etapa é voltada para medidas de curto prazo, como ampliar o acesso ao mercado para determinados produtos; intensificar a cooperação regulatória; ter maior agilidade na análise de pedidos de patente; entre outras. A outra etapa é ampliar o diálogo para temas estruturais de longo prazo.

Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos.

Como consequência, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, contesta os fundamentos da investigação e afirma que não há evidências de discriminação contra os Estados Unidos.

"Um dos pontos levantados é o desmatamento. Em 2025, o Brasil registrou uma redução de cerca de 61% no desmatamento. É óbvio que, lamentavelmente, poderá ter um contexto geopolítico envolvido nessa decisão. Por isso, esperamos que nossos representantes consigam sensibilizar [as autoridades americanas] com argumentos técnicos."

Paralelamente, os Estados Unidos concluíram uma investigação sobre trabalho forçado envolvendo quase 90 países. O Brasil foi incluído entre as nações que, segundo o órgão, não adotam ou não aplicam de forma efetiva restrições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Nesse caso, a proposta é aplicar uma tarifa adicional de 12,5%.

"Queremos que o governo brasileiro faça sua parte de forma competente e técnica, sem envolver aspectos políticos, para que possamos manter uma relação comercial normal, estável e crescente com os Estados Unidos."

A expectativa é de que a decisão final seja anunciada até 15 de julho. Mesmo em caso de resultado desfavorável, Alban afirma que a CNI continuará atuando junto ao governo brasileiro e às autoridades americanas para revisar as medidas e ampliar a lista de produtos isentos das tarifas.

Reportagem, Paloma Custódio