Bets deixam de ser entretenimento e passam a ser vistas por mulheres como saída para dificuldades financeiras

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Quatro em cada dez mulheres brasileiras já apostaram ou ainda apostam online. É o que mostra uma pesquisa inédita sobre o impacto das bets na vida das mulheres e das famílias. Segundo o levantamento, 42% das entrevistadas já tiveram contato com as apostas online. Destas, 20% continuam apostando e 22% já pararam.

O estudo também mostra que as apostas podem assumir um significado diferente para as mulheres. Em vez de apenas entretenimento, o jogo pode aparecer como uma tentativa de complementar a renda, pagar despesas ou resolver dificuldades financeiras.

Especialistas explicam que o gasto do dinheiro destinado às despesas da casa com apostas pode trazer consequências como culpa, vergonha, ansiedade e conflitos familiares.

A psicóloga clínica Laynara Paiva destaca o motivo pelo qual a possibilidade de renda extra pode ser atrativa em momentos de vulnerabilidade desse público.

No entanto, a promessa de renda extra pode levar a um ciclo de perdas quando a aposta passa a ser usada para pagar contas ou recuperar dinheiro perdido.

A psicóloga Denise Milk alerta que apostar não deve ser confundido com uma fonte de renda.

A pesquisa, intitulada Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias, realizada pelo estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia, também revela diferenças no comportamento entre homens e mulheres.

Mulheres com filhos apostam cerca de 1,6 vez mais do que as sem filhos. Entre as mulheres, 30% afirmam apostar mais à noite ou de madrugada, contra 20 % dos homens.

O levantamento foi realizado a partir de estudos qualitativos e quantitativos. Com a etapa quantitativa realizada entre 8 e 9 de julho de 2026.

Já as entrevistas qualitativas foram realizadas em junho e julho de 2026.

A pesquisa completa pode ser acessada em www.clarice.cc/mulheres-e-bets ou em Brasil61.com.

Reportagem, Bianca Mingote