| 09 ATL povos indígenas reafirmam protagonismo para garantia do futuro.mp3 |
Gésio Passos – Repórter da Rádio Nacional
Edição: Rafael Gasparotto / Rafael Guimarães
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
No segundo dia do Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, nesta segunda-feira (6), os povos indígenas reafirmam o papel de protagonista para garantia do futuro.
Alcebias Sapará, liderança da terra indígena Raposa Serra do Sol, de Roraima, e vice-coordenador das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, a Coiab, pediu união contra a imposição da atividade mineradora nas terras indígenas, debatida pelo Congresso Nacional:
"Está tendo no Senado e no Congresso um GT sobre mineração em terras indígenas para abrir os nossos territórios para a mineração. Quando é que nós estamos falando sobre isso? Quem está sofrendo sobre isso? Quem está sendo cooptado? Quem está sendo morto? Para mim (sic) enfrentar o sistema, eu preciso saber o que está acontecendo com o meu parente. Porque, senão, vai ser cada um por si. É assim que eles estão dividindo a gente".
O cacique Awa Tenondegua, da coordenação-geral dos Povos Indígenas do Sudeste, reforça que a luta por demarcações de terra é em todo país:
"E não está diferente não, Alcebias, lá do Amazonas, lá do Pará, lá do Nordeste, a luta é a mesma. É pelo nosso território. Hoje, nós temos muitas aldeias, muitas comunidades, sem a oportunidade de dizer que essa terra aqui é minha, essa terra aqui é do meu povo. Estamos nessa luta ainda. E não precisamos provar, porque quem estava aqui primeiro era (sic) nós. Mas, hoje, a gente tem que lutar contra o sistema, contra o povo não indígena, porque cada pedacinho que eles conquistam, é trezentos, quatrocentos indígenas que estão morrendo".
Tayse Campos Potiguara, do Rio Grande do Norte, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, denuncia os impactos dos grandes empreendimentos nas terras indígenas, principalmente na região:
"Um dos principais problemas e ameaças que têm sido denunciados em toda a região Nordeste, Minas e Espírito Santo é justamente a invasão dos grandes empreendimentos nos territórios indígenas. Nós temos 177 terras indígenas no Nordeste impactadas com hidrelétricas. Nós temos 84 terras indígenas afetadas por petróleo e gás. Então, isso afeta diretamente o direito ao território, isso aumenta a violência dentro dos territórios, a vulnerabilidade dos nossos povos do Nordeste".
A programação do Acampamento Terra Livre segue até a próximo sexta-feira (10). Nesta terça-feira (7), uma grande marcha será organizada com o mote “Congresso inimigo dos povos: nosso futuro não está à venda”.