Amazônia consegue se regenerar mesmo após queimadas, mas se torna mais vulnerável, aponta estudo

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Uma nova pesquisa mostra que a Floresta Amazônica consegue se recuperar mesmo depois de sofrer impactos fortes, como queimadas, períodos de seca prolongada e tempestades intensas. O estudo, feito por cientistas brasileiros e publicado na revista PNAS, acompanhou a floresta ao longo de DUAS DÉCADAS.

Os pesquisadores observaram que, depois desses danos, a vegetação volta a crescer e a floresta continua existindo. No entanto, ela não se recompõe exatamente da mesma forma de antes.

Com o tempo, algumas espécies mais sensíveis acabam desaparecendo ou ficando raras. Em seu lugar, espécies mais resistentes, que suportam melhor ambientes difíceis, passam a dominar a paisagem. Isso faz com que a floresta fique um pouco menos diversa em algumas áreas.

O estudo também descarta a ideia de que a Amazônia esteja se transformando em savana. Segundo os cientistas, isso não está acontecendo. A floresta permanece como floresta, mas com mudanças na sua composição e em parte de seu equilíbrio.

Outro ponto importante é que a recuperação não é igual em todos os lugares. Nas áreas mais internas da floresta, longe de estradas e pastagens, a regeneração costuma ser mais rápida e completa.

Já nas regiões de borda, onde há contato com áreas abertas, a recuperação ocorreu de forma mais lenta, e a diversidade de espécies diminuiu entre VINTE POR CENTO e QUARENTA E SEIS POR CENTO no período de 2024 a 2024.

Os pesquisadores também destacam o papel das gramíneas, que podem se espalhar após incêndios mais fortes e aumentar o risco de novos focos de fogo, dificultando a recuperação das árvores.

Por outro lado, ao longo do tempo, principalmente a partir de meados da década de 2010, parte dessas gramíneas perdeu espaço com o avanço da vegetação de floresta.

Reportagem, Marquezan Araújo