Trump, Tromp, Trimp, Tremp, Tramp…

*Sérgio Cintra

Há quem olhe para Donald Trump com empatia, como se fosse um bufão inofensivo que apenas colore o palco político com suas frases caricatas; outros, porém, sentem antipatia imediata, como se estivessem diante de um vilão de opereta. Afinal, quem solta pérolas como “Grab them by the pussy” – “Agarre-as pela vagina” (Misoginia); “They are taking your jobs” – “Eles (imigrantes) estão tomando seus empregos” – (Xenofobia) e “Make America Great Again” – Torne a América Grande Novamente (Imperialismo), não deve esperar aplausos; mas vaias esfuziantes. Para completar o figurino esdrúxulo, Donald John Trump ostenta uma maquiagem alaranjada que parece saída de um teatro Kabuki mal ensaiado, enquanto desfila um comportamento que revela o Transtorno de Personalidade Histriônica (TPH).

No seu segundo mandato, o presidente estadunidense decretou medidas absurdamente insanas que deixaram boquiabertos até mesmo seus aliados mais próximos; além deles, as estultices trumpistas globais provocaram estarrecimentos e reações em todos os países da Terra. Essas medidas descabidas, beirando à sandice, caracterizam-se por serem desproporcionais, arbitrárias, irrazoáveis e autoritárias; sendo resultado de uma personalidade megalomaníaca e, claramente, sociopata ou Transtorno de Personalidade Antissocial. Críticas choveram; todavia, o “Laranja Mecânica” contemporâneo responde com seu sorriso falso, engessado e frases inócuas, como se governar fosse apenas uma extensão de um programa de auditório ou uma avalanche de Fake News.

A política externa do trumpismo é uma hecatombe; marcada pelo segregacionismo, xenofobia, intervencionismo, isolacionismo, sobretaxação e a “Doutrina Donroe” (Donald + Monroe) que pode ser resumida em uma frase: “America First”(América primeiro) que impõe ao mundo o jugo dos EUA. Em “Veias abertas da América Latina” (1970), Eduardo Galeano vaticina: “Nossa riqueza sempre gerou nossa pobreza por nutrir a prosperidade alheia: os impérios e seus beleguins nativos”. Dessa maneira os lacaios (beleguins) se colocam a serviço do MAGA – “Make America Great Again” – e, em conjunto infligem horror, sofrimento e morte a crianças, mulheres e civis para deleite do “Grã Palhaço Assassino”.

Em um epílogo dantesco, o “Homem-Laranja” junta-se ao panteão dos mentirosos contumazes, sociopatas e disruptivos que espalharam mazelas e ódios às nações: Calígula (12-41), Franco (1892-1975), Idi Amin Dada (1925-2003), Pol Pot (1925-1998) e Hitler (1889–1945). Sua retórica é um mosaico de falácias, exageros e distorções, embalado por uma maquiagem que nunca desbota. Assim, surge a onomatopeia que dá título a este artigo — “Trump, Tromp, Trimp, Tremp, Tramp…” — um som que ecoa como o tropeço constante de quem insiste em transformar política, economia e geopolítica em espetáculo circense no qual o circo pega fogo e o impassível orange clow sorri malignamente.

*Sérgio Cintra é professor de Linguagens e servidor do TCE-MT - sergiocintraprof@gmail.com