*Onofre Ribeiro
Tradicionalmente as eleições em Mato Grosso a partir de 1967 foram comandadas por grupos políticos. Até 1967 quando foram extintos os partidos criados após a Constituição de 1946, todas as eleições giraram em torno de grupos políticos. Aos poucos com a abertura política dos militares os dois partidos existentes desde 1967, a Arena governista, e o MDB oposicionista, deram origem a muitos partidos.
Todos nasceram fracos. Eram mantidos vivos graças à força e união de grupos de políticos tradicionais. Aos poucos eles foram acoplando gente nova vinda do interior e tanto os partidos como os grupos se fortaleceram. Mas a base era bem anterior, formada na Arena e no MDB.
Depois que se dividiu Mato Grosso em 1977, a antiga Arena gerou partidos novos e o MDB também. Começaram a aparecer os grandes líderes desses grupos. Basicamente dois grupos, um liderado pelo deputado federal Júlio Campos e o outro pelo deputado federal Carlos Bezerra. A cada eleição esses dois grupos cresciam e polarizavam.
Em 1994 com o afastamento do deputado federal Dante de Oliveira saindo do PMDB para o PSDB, passa a polarizar com o líder Carlos Bezerra. A polarização agora tem duas frentes novas: O PFL, de Júlio Campos e seu grupo, e o PSDB liderado por Dante de Oliveira, eleito governador em 1994 e reeleito em 1998.
Em 2002 a chegada do novato Blairo Maggi no cenário político passou a régua nos grupos anteriores e isolou os grandes nomes que comandavam a política e os grupos: Júlio e Jaime Campos, José Riva e Roberto França. Na sua reeleição em 2006 Blairo se reaproximou dos grandes líderes que afastara. Mas já sem a força de grupo anterior. Veio depois Silval Barbosa que não alimentou partidos e nem grupos. Substituído por Pedro Taques, nada de partidos e nem de grupo. Governo de um homem só.
Agora em 2026 colhe-se o efeito Mauro Mendes, no governo de desde 2019. Mauro nunca foi de partido e nem de grupos políticos. No seu entorno giraram nomes e partidos, mas sem protagonismo. Nesta eleição o vice Otaviano Piveta, hoje no governo, vai para reeleição sozinho. É um cavaleiro solitário que administra o bom saldo de Mauro Mendes e tenta construir a sua própria personalidade política e governamental.
Tanto para o Senado, como para a Câmara dos Deputados e para Assembléia Legislativa as vagas são disputadas por cavaleiros e cavaleiras solitários. O senador Welinton Fagundes vai quase solitário. Tem experiência política, mas o seu partido, o PL, está com a maioria dos prefeitos rachados apoiando Otaviano Piveta. Falta convicção.
A questão que se coloca é que a decisão das eleições não estão mais nas mãos de grupos e e nem dos partidos. Está em duas mãos: a dos candidatos. E a outra, mais difícil é construir a conexão com os eleitores. Não existe mais o convencimento em pirâmide desde o município até a candidatura de governador como antes.
Será uma eleição sem pé e nem cabeça. A voz mais forte talvez seja a dos marqueteiros, se até outubro conseguirem achar uma linguagem para falar com os eleitores. No mais, é sem mesmo sem pé e nem cabeça!
*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso - onofreribeiro1944@gmail.com