Quatro em cada dez apostadores em bets se endividaram, mostra pesquisa

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Sarah Quines – Repórter da Rádio Nacional

Edição: Fabiana Sampaio / Rafael Guimarães

Foto: REUTERS/Alexandre Meneghini

Quatro em cada dez pessoas que fizeram apostas on-line, as chamadas bets, se endividaram, segundo levantamento do Procon-SP que analisou o comportamento de consumidores.

As bets parecem estar em todos os lugares: das redes sociais às camisas de times de futebol, das placas de publicidade nos estádios à propaganda na televisão. Com a alta exposição a esse tipo de conteúdo, as pessoas ficam mais estimuladas a fazer apostas. Mais da metade dos entrevistados pelo Procon-SP afirmou que se sente influenciada por propagandas com celebridades ao fazer apostas, e oito em cada dez receberam ofertas de jogos e apostas no celular e/ou redes sociais.

Nilciane Zalpa, assessora técnica do Procon-SP, explica que a maioria dos entrevistados sequer estava procurando esse tipo de atividade:

"As propagandas advindas do celular e dos influenciadores, sim, levam o consumidor a recorrer mais a esse tipo de atividade, pois ela está estampada nos jogos, em sites, sites de busca, de pesquisa, e isso estimula, sim, o consumidor a jogar e a procurar este tipo de serviço."

A pesquisa divulgada pelo órgão de defesa do consumidor aponta ainda que o perfil dos apostadores costuma ser o de homens de até 44 anos, com renda de até dois salários mínimos.

Em relação à edição anterior, o levantamento atual revela aumento no valor das apostas: três em cada dez pessoas gastam mais de R$ 1 mil por mês em jogos on-line.

Com ​relação a quem já se endividou por causa de jogos e apostas, são mulheres de até 30 anos, com renda de até dois salários mínimos, que afirmaram ter gastado mais do que podiam. Mais da metade de quem apostou disse ter comprometido boa parte da renda, retirado dinheiro de aplicação financeira ou pedido dinheiro emprestado para fazer apostas on-line.

Entre o público que costuma jogar, sete em cada dez afirmaram ter perdido mais dinheiro do que ganhado. Entre os que ganharam, a maioria relatou problemas com a empresa que oferta a aposta, sendo o principal deles a recusa em realizar o pagamento do prêmio.

A assessora técnica do Procon-SP, Nilciane Zalpa, ressalta que quem joga ou aposta deve ter clareza de que se trata de um entretenimento, e não de um investimento:

"A publicidade [...] leva o consumidor a idealizar que ele vai obter lucro, que ele vai ter a vida daquela celebridade. E é importante ele ter a consciência de que se trata de um jogo. A maioria das pessoas diz que elas tiveram mais perdas do que ganhos."

O Procon alerta que jogadores e apostadores estão protegidos pelos direitos do consumidor e recomenda que se informem para saber se a empresa que oferece a aposta pode atuar no país. O órgão disponibiliza uma cartilha com informações sobre o assunto no site procon.sp.gov.br.