| 09 Parto normal é preferência de 70% das brasileiras no início da gravidez; campanha reforça autonomia e informação para gestantes.mp3 |
A escolha sobre como um bebê vai nascer deveria ser da gestante e sua rede de apoio, com informação de qualidade e orientação médica. Mas, no Brasil, essa decisão nem sempre segue esse caminho.
Embora SETE em cada DEZ brasileiras digam, no início da gravidez, que preferem o parto normal, a maioria dos nascimentos ainda acontece por cesariana.
Em 2023, quase SESSENTA POR CENTO dos partos no país eram realizados por cirurgia, de acordo com relatório do Ministério das Mulheres.
O número chama atenção porque o Brasil está entre os países que mais fazem cesarianas no mundo. E isso acontece mesmo com os benefícios já conhecidos do parto normal.
Diante desse cenário, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, o UNICEF, recomenda o parto normal e ressalta que quando não há contraindicação médica, o procedimento favorece uma recuperação mais rápida da mãe. Além disso, facilita a amamentação e contribui para a adaptação do bebê após o nascimento.
É o que destaca a chefe de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil, Luciana Phebo:
“O parto normal tem muitas vantagens, tanto para a gestante, para a mãe, quanto para o bebê. A recuperação materna é muito mais rápida. Isso, muitas vezes, é um fator extremamente importante para mulheres que não possam ter uma rede de apoio muito grande e precisam rapidamente estar ali, inclusive, para o cuidado do seu bebê.”
Para ampliar o acesso à informação e combater mitos sobre o tema, o UNICEF lançou a campanha "Parto normal. Uma escolha que merece respeito".
Com o slogan "Opinião não é informação", a iniciativa alerta para um problema comum durante a gestação: a pressão de familiares, conhecidos e até desconhecidos sobre a forma como o bebê deve nascer.
A campanha é composta por filmes, spot de rádio e peças para TV, redes sociais e internet. Os filmes, por exemplo, retratam situações comuns do dia a dia. Nas peças, mulheres grávidas recebem comentários e opiniões de desconhecidos sobre a escolha pelo parto normal. A proposta é mostrar como essas interferências podem gerar dúvidas e inseguranças durante a gestação.
Luciana Phebo explica que o objetivo da campanha não é opor uma forma de parto à outra, mas garantir que as escolhas sejam feitas de maneira informada e respeitosa.
“O que nós queremos alcançar é que partos normais, quando indicados, deve ser a preferência no Brasil. E nós queremos que isso aconteça a partir de uma maior autonomia da gestante. E que essa autonomia não seja interferida por opiniões, por mitos, por pressões sociais, por pressões institucionais.”
Além das peças publicitárias, a iniciativa oferece uma página com orientações para gestantes, familiares e profissionais de saúde. O conteúdo reúne informações sobre os direitos da mulher, o trabalho de parto, formas de alívio da dor, a importância do pré-natal e esclarecimentos sobre mitos relacionados à cesariana, sempre com base em evidências científicas.
Para acessar os materiais da campanha e mais informações,acesse: www.unicef.org/brazil/parto.
Reportagem, Marquezan Araújo