| 06 Outubro Rosa amplia debate sobre prevenção do câncer de mama entre pessoas trans.mp3 |
Foto da manchete: Reprodução/Portal IPC
Por Jurandir Antonio – Voz: Ana Rosa Lima
Texto do áudio
Enquanto o Outubro Rosa reforça a importância da prevenção ao câncer de mama, Mato Grosso registra um aumento expressivo na visibilidade da população transexual.
O número de retificações de gênero em cartórios dobrou em um ano, passando de 22, em 2024, para 44, em 2025, segundo dados da Associação dos Notários e Registradores.
O crescimento chama a atenção para um grupo que frequentemente permanece à margem das estatísticas tradicionais de saúde e que também necessita de acompanhamento oncológico especializado.
Nesse contexto, a prevenção ao câncer de mama exige uma abordagem clínica que vai muito além da identidade de gênero ou do registro civil.
A endocrinologista da Afya, Renata Bussuan, ressalta que as condutas médicas devem ser individualizadas, considerando as características e o histórico de cada paciente.
A médica explicou que ao avaliar uma pessoa trans, não é possível pensar no rastreamento do câncer apenas com base no gênero com o qual ela se identifica.
De acordo com ela, é preciso saber quais órgãos e tecidos essa pessoa mantém, se realizou alguma cirurgia, quais hormônios utiliza ou utilizou, por quanto tempo, além da idade e dos fatores de risco individuais.
No caso de pessoas transmasculinas, o uso de testosterona e a realização de cirurgias de masculinização do tórax exigem atenção específica.
O Ministério da Saúde orienta que homens trans e pessoas não binárias que mantêm o tecido mamário sejam incluídos no rastreamento mamográfico periódico, entre os 50 e os 74 anos.
Isso porque os procedimentos cirúrgicos nem sempre removem todo o tecido mamário, o que significa que o risco de câncer permanece.
Entre as mulheres trans, o uso de estrogênio pode promover o desenvolvimento do tecido mamário como parte do processo de afirmação de gênero.
Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Ana Rosa Lima