Estudo da Unemat alerta para colapso do Cerrado e perda de 24 bilhões de árvores

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Foto da manchete: Ben Hur Marimon Júnior

Por Jurandir Antonio – Voz: Enéas Jacobina

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Um estudo científico, liderado por Facundo Alvarez, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Unemat, Universidade do Estado de Mato Grosso, acaba de lançar um alerta global pela revista Global Change Biology: o Cerrado, a savana mais biodiversa do planeta, enfrenta uma vulnerabilidade muito superior à que se imaginava.

No artigo em português: "Árvores hiperdominantes revelam a vulnerabilidade do cerrado sob mudanças climáticas", publicado na prestigiada revista, revela que o equilíbrio de todo o bioma repousa sobre os ombros de apenas 30 espécies de árvores "hiperdominantes".

Se o clima continuar a aquecer no ritmo atual, o Cerrado perderá quase metade, ou seja, 48% da área adequada para a sobrevivência dessas espécies fundamentais até 2060.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores da Unemat realizaram inventários minuciosos.
Segundo a professora Beatriz Marimon, são décadas de trabalho de muitas mãos que tornam possível estudos como este.

O estudo aponta que o Cerrado já perdeu cerca de 24 bilhões de árvores desde 1985.

Em 2023, a taxa de perda de vegetação foi 2,4 vezes maior do que a registrada na Amazônia.

A pesquisa vai além da ecologia e toca no vácuo das políticas públicas: atualmente, apenas 8% do bioma é protegido por lei, e quase 60% da vegetação nativa remanescente está em propriedades privadas.

A análise adverte que a flexibilização do licenciamento ambiental pode acelerar o colapso desses refúgios.

Segundo os autores, a sobrevivência do bioma depende agora de uma conciliação urgente entre a agropecuária e a conservação, utilizando tecnologias sustentáveis.

Sapicuá Rádio Agência, da redação em Cuiabá, Enéas Jacobina