DESASTRE ECOLÓGICO `A VISTA - AQUÍFERO GUARANI CORRE RISCO DE ACABAR?

*Juacy da Silva

Estamos em plena Semana LAUDATO SI, celebrando ONZE ANOS da publicação desta Encíclica pelo nosso saudoso Papa Francisco, exortando a humanidade, principalmente os cristãos em geral e os católicos em particular, sobre a gravidade da degradação socioambiental, da destruição do Planeta, nossa Casa Comum, apontando ser tudo isto resultado de uma “ECONOMIA QUE MATA”, uma Economia da morte e que precisamos, de forma urgente,  mudar radicalmente os parâmetros desta economia da morte por outros que possibilita a existência de uma nova economia, a ECONOMIA DA VIDA, a economia de Francisco e Clara, um novo modelo que respeite a natureza, os trabalhadores, os consumidores e, principalmente, as futuras gerações.

Mato Grosso é um estado privilegiado por ter em seu vasto território a presença de três, dos seis biomas brasileiros: O Pantanal, o Cerrado e a Amazônia Mato-grossense.

Todavia, apesar da riqueza contida nesses três biomas os mesmos vem sofrendo um processso intenso de degradação seja pelo desmatamento, pelas queimadas, mas, principalmente pela destruição das nascentes, córregos, rios e afetando tanto o regime de chuvas quanto `a degradação dos solos.

Dos mais de 140 milhões de hectares de áreas degradadas, em Mato Grosso estima-se que existam cerca de 20 milhões de hectares de pastagens plantadas com algum grau de degradação, afora outras áreas ocupadas com agricultura e que também estão em algum processo de degradação.

A recuperação deste passivo ecológic para garantir a sustentabilidade é um grande desafio para o agronegócio, para a  agricultura familiar e os governos federal, estadual e muncipais, exigindo políticas públicas para o seu enfrentamento.

Sob os territórios de Mato Grosso, de boa parte do Cerrado, dos estados de Minas Gerais, de São Paulo e partes da região Sul do Brasil e também de paises vizinhos como Bolívia Paraguai e Argentina encontra um dos maiores reservatórios suberrâneos de água das Américas que é o AQUÍFERO GUARANI.

Na verdade, o Aquífero Guarani é uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, de importância estratégica para a segurança hídrica, garantindo o abastecimento de  mais de 100 milhões de pessoas no Brasil e nos referidos países vizinhos e sustentando atividades econômicas essenciais na América do Sul.

Eu fiz uma pergunta a sites de buscas (IA) e encontrei  um conjunto valioso de informações, parte das quais compilei e resolvi compartilhar,  com diversas pessoas e instituições com as quais mantenho contato e com o público em geral, com o objetivo de despertar o interesse em relação a esses desafios ecológicos, socioambientais que dizem respeito de perto ao nosso presente e ao nosso futuro.

Além disso, tendo em vista a proximidade das eleições gerais de 2026, esperamos também que candidatos e candidatas, tanto a cargos eletivos federais quanto estaduais despertem para a necessidade de que precisamos definir políticas públicas federais, estaduais e municipais, de caráter preventivo e urgentes, para evitar que uma verdadeira catástore, ja amplamente anunciada e denunciada por cientistas e estudiosos dos desafios socioambientais possam ser evitadas.

Caso nossos governantes continuem se omitindo e fazendo de conta que tais problemas e desafios,  já amplamente demonstrados, principalmente a grave crise climática, com suas causas e consequência, não existam, com certeza dentro de algumas décadas tanto partes da Amazônia Matogrossense, quanto do Cerrado e, principalmente, o Pantanal poderão ser transformados em áreas extremamente degradadas e até em desertificação.

Cabe ressaltar que o Pantanal não produz água, as águas que garantem o regime das cheias e vazantes no Pantanal tem origem nos Rios que nascem em suas cabeceiras ou seu entorno e que estão sendo destruidos pela ganância e falta de cuidado com a natureza.

Pergunta: O AQUÍFERO GUARANI PODE ACABAR?

Resposta: Sim, o Sistema Aquífero Guarani (SAG) corre sérios riscos. Pesquisas revelam que a retirada de água está superando a recarga natural, e as mudanças climáticas ameaçam secar os reservatórios subterrâneos. A superexploração por cidades, indústrias e agricultura torna urgente a necessidade de gestão e preservação. 

O alerta de esgotamento e a degradação do sistema são impulsionados por fatores críticos: 

  • Extração Excessiva: A quantidade de água bombeada é muito superior à capacidade de reposição da chuva. Em áreas como Ribeirão Preto (SP), por exemplo, já foi retirada até 30 vezes mais água do que o volume que o sistema consegue reabastecer. 
  • Emergência Climática: Pesquisas lideradas pela USP e INPE apontam que mudanças climáticas severas podem reduzir a recarga natural de aquíferos brasileiros em até  até o ano 2100. A irregularidade das chuvas e o aumento das temperaturas diminuem a taxa de infiltração da água no solo. 
  • Lentidão na Recarga: Grande parte da água subterrânea é "fóssil" e pode levar de centenas a milhares de anos para percorrer desde as áreas de afloramento até os poços de captação. 
  • Impacto nas Populações: Estima-se que os aquíferos abasteçam cerca de milhões de pessoas no Brasil. O rebaixamento do nível do aquífero encarece a captação e força o aprofundamento ou a desativação de poços. 

Para evitar o colapso, especialistas defendem o monitoramento rigoroso das extrações. Você pode acompanhar a evolução desses estudos e as diretrizes de preservação nos artigos divulgados pelo Jornal da USP. Para entender os impactos a longo prazo, confira os relatórios e análises disponíveis na CNN Brasil e na Revista Pesquisa Fapesp. Reposição do Aquífero Guarani é insuficiente para ...

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O nível do Aquífero Guarani está diminuindo, e estudos apontam que o volume retirado para consumo humano e agropecuário supera a capacidade de reposição natural. Embora parte dessa redução climática esteja associada à perda de cobertura vegetal na Amazônia, as áreas de recarga do aquífero também sofrem com a diminuição das chuvas e o aumento da evaporação. 

Para compreender a fundo essa dinâmica, veja os impactos que ameaçam o reservatório subterrâneo:

  • Queda de pressão: O rebaixamento do nível da água subterrânea já atinge até  metros em algumas regiões, especialmente no interior de São Paulo, onde a extração é mais intensa. 
  • Recarga insuficiente: Pesquisas mostram que a chuva concentrada escoa mais na superfície e infiltra muito menos no solo do que o necessário para repor o estoque. 
  • Fator Amazônico: A redução das chuvas no Centro-Oeste e o prolongamento da estação seca na Amazônia impactam o transporte de umidade regional, agravando o déficit hídrico. 

O entendimento do ciclo hidrológico e a preservação dessas reservas são temas de grande debate regional e global. Você pode verificar os dados destas pesquisas nos links abaixo:

  • Leia sobre as pesquisas de mudanças nas chuvas na região amazônica no artigo da Agência FAPESP.
  • Acompanhe as análises sobre o risco de rebaixamento dos níveis subterrâneos na cobertura da Forbes Brasil.
  • Entenda a exposição da biodiversidade e do clima tropical no portal The Conversation

O PANTANAL PODE SECAR E VIRAR DESERTO?

Sim. O Pantanal corre o risco de perder suas características originais e passar por um processo de desertificação caso o ciclo severo de secas e queimadas continue avançando. O bioma enfrenta reduções drásticas nos níveis de água a cada década, afetando sua capacidade de inundação e regeneração. 

Conforme dados recentes do MAPA BIOMA, entre 1980 e 2024, “o Pantanal é o bioma que mais perdeu superfície de água em relação à média histórica: 61%”, razão pela qual a hipótese de que o Pantanal, caso esta trajetória não seja alterada, corre o risco de secar é altamente provável.

O risco da desertificação

Especialistas apontam que as repetidas crises hídricas e o calor extremo estão empurrando o Pantanal para o chamado "ponto de não retorno", invibilizando todas as atividades produtivas e até mesmo a permanência dos aglomerados humanos em seu território.

  • Redução da área alagada: As superfícies permanentemente alagadas chegaram a registrar quedas de até 75% em um período de 40 anos, tornando o solo extremamente seco e suscetível ao fogo. 
  • Savana ou deserto: A destruição da cobertura vegetal, aliada à degradação ambiental nas cabeceiras dos rios (incluindo biomas vizinhos), diminui drasticamente a quantidade de água que chega à planície. Se o pulso de inundação for perdido, a região tende a se transformar em uma savana (semelhante ao Cerrado) ou, em cenários mais extremos de degradação, avançar para uma área de desertificação. 

A rápida expansão e a gravidade dessa situação no Brasil são discutidas em detalhes e documentadas pelos seguintes artigos:

Impacto das mudanças climáticas globais

As alterações no clima e o aquecimento global estão encurtando os períodos de chuva e aumentando as temperaturas médias, o que desequilibra o ritmo natural de cheias e secas. A preocupação com essas alterações em áreas secas e ecossistemas do país é abordada no estudo: 

  • Aquecimento global faz surgir primeira zona árida e expande clima semiárido e áreas secas no Brasil 

Por que o bioma está secando

A ameaça não vem apenas do que acontece dentro da planície pantaneira, mas também dos fatores climáticos externos. Para compreender melhor a conexão entre o desmatamento, o ciclo de chuvas e o risco ao bioma, assista aos vídeos abaixo: 

Para entender como a degradação do Cerrado e a alteração dos 'rios voadores' da Amazônia contribuem para a escassez de água no Pantanal: veja este video

https://www.youtube.com/shorts/vv4REm-Y6K4?feature=share

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em socioligia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral. Email profjuacy@yahoo.com.br Instagram @profjuacy Whats app 65  9 9272 0052