Após 20 dias de atividades intensas, a Casa Vítuka, em Cuiabá, sediou a 3ª Mostra Etnomídia Indígena, atendendo a expectativa de ser um espaço de difusão de arte indígena em Mato Grosso. Sob o tema 'Festival de Impressos Indígenas', esta edição deixa como marca, a presença de profissionais indígenas e agentes culturais locais, em especial, mulheres, unidos para organizar o evento e mobilizar convidados locais e nacionais em torno da difusão dos conhecimentos no campo das artes visuais, literatura e saberes indígenas.
A última mesa do evento, mediada pela artista mato-grossense Paty Wolff, contou com a presença do artista e curador Denilson Baniwa, um dos grandes nomes da arte indígena na atualidade. Ao longo de duas horas, o debate envolveu o público ao abordar os desafios para se estabelecer no cenário da arte, os processos de curadoria e a visibilidade de artistas indígenas e do interior. A conversa instigou reflexões profundas sobre o potencial da produção artística de Mato Grosso e sua projeção no cenário nacional.
O tema "Economia Criativa: Perspectivas" também esteve em pauta, atualizando o público sobre os avanços das políticas públicas no setor. O debate destacou a recente criação da Secretaria de Economia Criativa no Ministério da Cultura e contou com a participação de Keiko Okamura, Superintendente da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) e mediação do produtor cultural Isaac Amajunepá. Durante a atividade, Isaac destacou a relevância do encontro:
"A 3ª Mostra Etnomídia Indígena não é apenas um espaço de exposição, mas um território de afirmação econômica. Quando discutimos economia criativa sob a perspectiva indígena, estamos falando de valorizar saberes ancestrais como ativos de desenvolvimento sustentável e justiça social para nossos povos", declarou.
Para as oficinas, um público de pelo menos 300 pessoas esteve presente, demonstrando a importância de atividades que envolvem a arte-educação e o reconhecimento da presença indígena em Mato Grosso.
O evento reuniu um público diverso, incluindo estudantes e professores da EMEB Ana Tereza Arcos Krause, docentes de artes da rede municipal de Cuiabá, além de representantes do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). Também prestigiaram a programação servidores da Biblioteca Estadual Estevão de Mendonça, artistas locais e visitantes de diversas regiões do país.
A Mostra Etnomídia indígena - Festival de impressos, foi contemplado no Edital Aufa de Fomento Cultural nº 001/2024: Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Cuiabá/MT, via Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e Edital nº 16/2024 - Ancestralidade Viva: Apoio e Incentivo à Cultura dos Povos Indígenas, pelo Ministério dos Povos Indígenas.
Fotos do evento podem ser acessadas aqui: https://www.flickr.com/photos/
Programação de 2026
O Espaço Cultural Casa Vítuka também divulgou em suas redes sociais uma prévia da programação de 2026. Mantendo o ritmo de uma atividade gratuita e aberta ao público a cada mês, estão previstos espaços de ateliê livre, bolsa de residência artística para indígenas e não indígenas, formações para a aplicação da Lei 11.645/08, que obriga o ensino de história e cultura indígena na sala de aula, além de um encontro entre artistas indígenas com bate-papos com curadores e artistas-educadores nacional e oficina criativa para formação de mulheres. Outra novidade é que até cinco pessoas serão contempladas com uma ajuda de custo para participar de todas as atividades programadas em cada semestre.
Toda programação é gratuita e as inscrições estão abertas via formulário disponível no Instagram @kena_vituka e no site oraculocomunica.eco.br. Em caso de dúvidas, envie um e-mail para: gamesdequeijo@gmail.com.